Carta Econômica Mensal de Julho, “Um mês” morno

O texto da ata da última reunião do COPOM, realizado no dia 31/07/2019 traz com clareza o que observamos no cenário macroeconômico recente, acrescido da ausência de fatos políticos, em virtude do recesso parlamentar. Este foi sem dúvida o fato mais importante do mês no tocante aos investimentos.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (31) reduzir de 6,5% ao ano para 6% ao ano a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic. Com a decisão, a taxa caiu para o menor patamar desde o início do regime de metas de inflação, em 1999. A medida já era esperada por analistas do mercado financeiro, embora uma parte previa a queda para 6,25% ao ano. O percentual é o menor da série história do Banco Central, que começou em 1986. A Selic estava em 6,5% desde março de 2018, portanto, há 16 meses. Na ocasião, a taxa chegou a esse percentual depois de 12 cortes seguidos. Entre julho de 2015 e agosto de 2016, a taxa se manteve em 14,25% ao ano.

Em comunicado, o Copom informou que, desde a última reunião, em junho, houve a consolidação de um “cenário benigno”, permitindo o corte de 0,5 ponto percentual. O comitê sinalizou que há espaço para novos cortes, ao afirmar que o novo cenário “deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”. No entanto, não sinalizou exatamente quando isto será feito. “O Copom enfatiza que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e reitera que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, diz o texto. Na avaliação do Banco Central, houve melhora nos cenários interno e externo, com os indicadores de inflação em “níveis confortáveis”. “Indicadores recentes da atividade econômica sugerem possibilidade de retomada do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual. O cenário externo mostra-se benigno, em decorrência das mudanças de política monetária nas principais economias”, afirmou o Banco Central. Embora avalie que houve redução dos riscos para aumento da inflação, o Banco Central aponta que o principal problema seria uma “eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira”.

A PEC da Previdência foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados entre a última reunião do Copom e a desta quarta-feira. O Copom reconhece que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que a continuidade desse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva”, diz o texto.

A redução continuada dos juros básicos (Taxa SELIC) traz um reposicionamento dos ativos na medida em que a renda fixa perde atratividade e há uma valorização dos ativos reais como ações e imóveis, em uma primeira aproximação, em virtude do menor desconto da taxa de juros que, consequentemente, oferece um maior valor presente dos ativos.

Desta forma, ainda mantemos nossas sugestões de investimentos expostas ao longo de todo semestre findo em fundos de títulos públicos de maior duração, como os Fundos IMA- B e IMA-B 5+ e aumento significativo para fundos de renda variável enquadrados nos artigos 8, I e 8, II da Resolução 3.922/10. Até o final de julho as nossas indicações de alternativas de investimentos se mostraram bastante adequadas e com rentabilidade acima da meta, como podemos observar nos quadros abaixo:

Continuaremos a acompanhar estes cenários para futuras realocações de recursos nas opções de investimentos.

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